Um passeio em Campo de Ourique, by Inês Vaz Pinto

A Day in Campo de Ourique, by Inês Vaz Pinto

Campo de Ourique tem aquele equilíbrio raro entre a energia de um bairro lisboeta e a tranquilidade de quem parece conhecer toda a gente. Gosto de o explorar devagar, entre cafés, lojas, jardins e restaurantes, deixando que cada paragem faça parte da experiência.

Começo a manhã no Mercado de Campo de Ourique, na Gleba. São 8h30 e o pequeno-almoço inclui um croissant, um pão de queijo e uma cookie de chocolate, além do inevitável café. Antes de sair, aproveito para percorrer o mercado e espreitar as bancas porque, estando aqui, é impossível não dar uma volta.

Com a manhã ainda a começar, o Jardim da Parada é o próximo destino. Gosto deste momento mais tranquilo, antes de entrar novamente no ritmo das ruas. E é precisamente por aqui que continuo até à Torres Novas, na Rua Tomás da Anunciação, 38A. Entre peças que fazem parte da tradição portuguesa e uma estética muito atual, é uma daquelas lojas onde encontro sempre motivos para ficar mais alguns minutos.

A visita à Casa Fernando Pessoa, pelas 11h00, muda o ritmo do passeio. É especial conhecer a casa onde o poeta viveu, num bairro que continua hoje tão ligado à vida cultural e criativa da cidade.

Depois de uma manhã assim, chega a hora de pensar no almoço. Às 13h30, o Teimar é a escolha para uma pausa prolongada à mesa. É também uma boa oportunidade para recuperar energias antes de voltar a percorrer o bairro.

E porque nem todas as boas descobertas têm de ser para consumir no próprio dia, aproveito o caminho para passar no Dez Prá Uma. Escolho algumas refeições prontas para levar para casa. É daquelas soluções que sabem ainda melhor quando já estão à espera no frigorífico.

A partir das 15h30, entrego-me às ruas de Campo de Ourique. Ferreira Borges, Coelho da Rocha e Saraiva de Carvalho são o cenário perfeito para uma tarde de compras e descobertas. Entre lojas de moda, decoração, marcas independentes e pequenos detalhes que chamam a atenção, vou deixando o roteiro de lado e seguindo aquilo que me desperta curiosidade.

Já com a tarde a chegar ao fim, há uma última paragem que não dispenso: um gelado no Santini, pelas 17h30. O bairro começa a ganhar outra luz e este é a altura certa para simplesmente aproveitar momento.

Para o jantar, guardo o Hikidashi. Às 20h00, sento-me finalmente à mesa para terminar o dia com o melhor sushi. Depois de um dia cheio, é o tipo de final que procuro: boa comida, ambiente descontraído e tempo para prolongar a conversa.

Campo de Ourique tem essa capacidade de preencher um dia inteiro sem nunca parecer que estamos a cumprir um roteiro. Há sempre mais uma rua para percorrer, uma loja para descobrir ou uma mesa onde ficar. E é aí que está o encanto.